quarta-feira, 5 de abril de 2017

Parte 5: Sobre sentimentos

Eu comecei a entender algo sobre poliamor quando há alguns anos atrás vi o FdD numa "encruzilhada da vida". Eu, ele e ela.
Eu sabia que ele sentia algo por mim, não porque ele dizia que me amava, mas quando eu olhava nos olhos dele, eu via o fogo. Não o fogo do tesão, ou o fogo no rabo kkkkkkkk... é difícil explicar. Quando eu falava o nome dela, eu via o mesmo fogo. E eu amei muito aquele homem, eu dei meu colo para ele chorar por ela. Eu nem consigo me lembrar como conseguia fazer isso. Sei que diversas vezes eu terminei e aconselhava ele a voltar para ela. Os 3 não tinha como rolar.
Eu sentia ciúmes, óbvio. A princípio eu achei que ela iria tomar meu lugar, ou que ela era mais importante ou mais alguma coisa que eu, e se ele gostava a ponto de sofrer por ela, eu podia me retirar pois eu não me envolveria com ele só para ser mais uma, se fosse tesão eu não me assustaria tanto porém, eu sabia que era bem mais além. E eu consegui ficar um tempo afastada, por que nesse quesito eu tento ao máximo ter orgulho, e quem sabe até um pouquinho de soberba para me proteger. Mas aí eu vi ele sofrer por mim e a insistência na procura dele. E virou um balangandã de confusões! Mas serviu muito de aprendizado.
Hoje eu não o amo mais, e por muito tempo eu achei que não fosse amar mais ninguém do jeito que um dia senti, senti que tinha morrido isso em mim, durante uns 3 anos, mas hoje... hoje eu tenho esperança.
Quando você está num relacionamento com alguém e sabe que esse alguém pode acabar interessado em outra pessoa é normal sentir isso tudo. Mas quando você entende que você já tem um "espaço", a perspectiva vai mudando. A gente acaba focando muito na outras relações e esquece as que temos e de como devemos cuidar dessa "plantinha". Se eu tenho tanto carinho por alguém, gosto ou amo, porque eu não vou querer vê-la feliz? Eu quero isso sim!
Eu não estou dizendo que essa verdade é universal, pois é claro que não é, porém eu quero encorajar todos que deixam de fazer algo por medo. A falta dele me trouxe o Dono, uma pessoa tão especial, um homem surpreendente e admirável, e faz meu coração inchar toda vez que penso nele e que não sei como agradece-lo. Se um dia, nós não estivermos mais juntos, sei que eu ainda vou ter esse sentimento para o resto da minha vida.

Meu conceito cresceu mais ainda depois que me relacionei com a Gata e o Tarado. Talvez eu estivesse com eles até hoje se não fosse pelas limitações de aceitação das minhas práticas fora da nossa relação por parte da Gata.
Mas tirando essa parte, eu pude aprender exatamente que se pode ter convivência e respeito e muito carinho quando algo do tipo acontece, e poder receber deles a mesma coisa. E que o ajuste às vezes não é tão fácil assim, mas se houver disposição dá certo. É assim que funciona esse sentimento de "poliamor" para mim.
Hoje em dia, tenho uma namorada que é submissa, e ela tem uma relação com o Dono (o mesmo Dono), e posso dizer que é tranquilo saber disso. Primeiro que eu desejo que os dois estejam satisfeitos e felizes, em todos os sentidos. Não tem muito segredo! É isso, eu só quero ve-los felizes (e de quebra brincar um pouco kkkkk). O Dono hoje já é casado, tem as limitações e eu entendo. Não é super fácil ter que lidar com questões que aparecem, como a questão de tempo ou de não poder fazer alguma coisa como dar uma volta ou de abrir o face e dar uma zapeada, no caso ter que me manter a parte da vida geral dele. Às vezes isso me entristece, afinal eu sou humana, gosto de ter convívio e manter perto as pessoas que tenho afeto. Mas me acalma saber que ele é amado e ama, e que está seguro, vale a pena abrir mão para mim.
Da mesma forma, é com minha loirinha. Nesse caso, ela tem a mim. Somos o casal. Me aperta é não ter mais contato físico com ela, achar que nem sempre ela tenha o suporte emocional que eu acredito que ela precise de mim. Mas eu tento todos os dias demonstrar o quanto ela é importante pra mim (de certa forma estamos num relacionamento fechado, pois ela não lida bem com terceiros e eu não quero forçar nenhuma situação). Quero ela muito bem, comigo ou com quem for.

Eu tenho um problema com relações poli. Não é o danado do ciúmes, embora ele seja o problema mais comum nas demais relações. Mas acredito que com relação à D/s, é algo que tem uma propensão à acontecer mais frequentemente e eu venho aprendendo e tentando dominar isso. Insegurança.
Eu sempre fui ligada no significado das coisas, busco significado de tudo, até dos nomes. Então quando algo é feito(ou não), tenho que aquilo tem valor em alguma coisa, que pode estar transmitindo alguma mensagem. Ou pelo menos algum tipo de impressão aquilo acaba me causando. Mas o pior é pensar em que posição aquilo me coloca.
Não estou falando de relações ocasionais, daquelas brincadeiras que acontecem com terceiros ou algo do tipo, independente de eu participar ou não. Adoro saber, é excitante.
Estou falando das relações já fixa.
Acabo fazendo comparações, não me incomodo saber que aquilo pode ser uma coisa boa para a terceira parte, mas o que aquilo pode significar para mim. Eu sei que ninguém é igual a ninguém, mas na hora que bate aquela coisa, é difícil lembrar. Mas eu não estou fechada para as irmãs que podem aparecer ou amores da minha namorada. Nada como uma boa conversa não ajude!
Então minha dica é tenham paciência, conversem sempre, sejam compreensivos.

É fácil gostar de alguém pelo vazio que ela parece preencher no que nos falta. É fácil você gostar de alguém que não te desagrada e faz exatamente tudo igual a um robôzinho. Fácil gostar de alguém que sacia o nosso egoísmo e carências. Mas não tem nada mais gostoso do que conhecer alguém, descobrir se de convencionalidades e deixar nos conhecer, defeitos e qualidades, diferenças e igualdades. Se encantar, se aborrecer, chorar e sorrir por/com/pra alguém.
Em qualquer relação, seja bdsm ou baunilha, nem tudo é um mar de rosas, mas também não tem que se ser um mar de vendavais.

A mensagem de hoje é:
Se permita!



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