quinta-feira, 6 de abril de 2017

Alguns indícios do meu masoquismo

O sadomasoquismo sempre foi uma coisa que me intrigou.  Quando penso sobre alguns anos atrás e ainda não entendia, lembro de algunos "sinais" que me faziam prestar um pouco mais atenção.
Eu sabia que eu sentia a dor um pouco diferente dos meus amigos em geral. Nessas brincadeiras estranhas que todos pré adolescentes tem, eu pedia pros meus amigos me morderem. Eram apostas pra quem aguentava mais. Não era pra ficar aquela marquinha dos dentes só não. Era o máximo de força que a pessoa conseguisse usar ou até aonde eu aguentasse. Braços, pescoço, ombros cintura, coxas, costas, no colo dos meus caroçinhos hoje chamados de seios. Era muito divertido e me causava uma sensação diferente. Lembro que eu achava que poderia ser resistência à dor. Mas eu sabia que não. Só não sabia classificar. E tentava disfarçar a minha excitação.
Outra coisa que eu adorava era ser puxada pelos cabelos, mas isso eu só permitia com poucas pessoas, não eram brincadeiras. Eu jogava uma sugestão, fazia uma vez na pessoa que era 'amig*', e acabava virando um tratamento. Era gostoso! Lembro de um colega que vivia fazendo isso comigo, hoje ele já é falecido. Bons tempos!
De vez em quando eu brincava com agulhas. Passava álcool 70 para esterelizar tudo o que fosse usar. Espetava as pontas dos dedos, a palma e sola dos pés, às vezes me arrisca vai em outras partes mas não era frequente pois eu tinha medo e não sabia muito bem porque aquilo parecia estranho. Então não era muito a minha praia.
Quando chegou a fase da descoberta sexual, as coisas  deram um boom. Aí eu queria os tapas, o tal do sexo selvagem (embora eu ainda fosse virgem), nada de "amorzinho".
Eu sempre tive em mente que eu queria minha virgindade 'tomada à força', como um estupro consensual. Eu queria sentir dor, queria ver o sangue, queria ver as marcas, queria me sentir um objeto, e queria gozar assim.
Eu tentei conversar com alguns amigos que tinha, mas ninguém entendia. Só uma! Mas ela tinha um perfil slut, não tanto masoquista.
Com o tempo fui me descobrindo mas só hoje com 20 e poucos anos é que consegui me localizar. A Internet me ajudou muito também.
De vez em quando essas lembranças se fazem mais claras. E aí eu consigo entender melhor sobre mim.

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