quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Borning Pandora


Em breve irei escrever sobre relações Bdsm vs Baunilha, algo que tenho vivido e que tem me dado nova visão sobre os dois aspectos. E pensando sobre isso, refleti o como eu mudei do momento em que decidi me dar para alguém e das coisas que eu queria, até hoje. E o quanto acho que mudarei.
É engraçado, pois na prática vou fazer 6 meses, e ainda sou um "bebê", uma novata nessa sociedade BDSMer. E enxergo algumas bobagens, infantilidades no meu comportamento no início.

Eu, novata, queria cair nas mãos de um dominador sádico, de preferência uma relação RACK. 
Já pensou? Eu, 21 anos, só apanhei de cinto de couro e a marca mais forte foi por apanhar de mão. Loka loka. Eu pensava assim pois queria testar meus limites. Queria ver até que ponto meu corpo aceitaria a dor e até onde sentiria prazer com ela. Hoje em dia, não quero mais sair do SSC, por inúmeras questões embora simpatize com poucas práticas de nível mais hard.

Eu não necessariamente estava buscando ser encoleirada. 
Para ser sincera, por ser novata eu queria sessões para saber como me portar, para me testar, para sentir na pele, para me ver como submissa e masoquista. E para observar o outro lado também. Experiências novas. Maaaaaas... rsrs tem um porém. De forma resumida, fiquei completamente envolvida por meu Dono, ele conseguiu despertar a Pandora e mexe com ela de uma forma que não sei como dizer. E agora eu sou dele.

Eu sempre fui bissexual. 
Nada de heteroflexível ou curto meninas. Eu tenho tesão/amo/relações com homens e mulheres. Não é uma coisa que fico gritando aos quatro cantos da terra. E por um tempo não assumia. O Dono meio que ajudou a colocar isso mais leve para mim. E eu estou muito mais satisfeita agora. 

De casta a putinha. 
Nunca fui santa. Sempre gostei de um bom sexo. Mas nunca era o suficiente. E acabei ficando sem sexo durante algum tempo por nunca conseguir me satisfazer. Acho que acabei me retraindo. Hoje em dia, infelizmente não tenho um periodicidade de sessões, o que me deixa muito em falta. E acho que isso piora a minha libido. Ou seja, tenho sexo baunilha varias vezes por semana e ainda parece que falta algo. Porém está menos pior. Isso é algum quesito que não conseguir achar uma resposta concreta. 
Fico com a Gata e a sensação é diferente, me sinto satisfeita. Acredito que é por ela ser mulher e já saber como as coisas funcionam numa relação lésbica.

Sentimentalismo 0. 
Preciso detalhar? Não me achem fria. Um relacionamento dá trabalho. E faz muitos anos que eu não me apaixono (não é sobre encantamento, é aquela paixão tão grande que dói), não ia ser logo agora, no início de tudo, que eu gostaria. E eu sou do tipo que quando fica apaixonada (de verdade) fico de quatro, de oito, de cem pela pessoa. Só que eu vejo tanta beleza numa relação D/s, vejo tudo o que ela dá, que eu não consegui me fechar. Se eu for sincera o que me tocou de primeiro foi ver um pouquinho da sintonia do Dono com a Alpha, comecei a olhar outros casais e vi depois uma amiga com o dominador dela, e outr*s que tive contato também, inclusive de um Dominador com o submisso dele também, tem tantos casos reais. Continuo gostando de umas putarias, porém eu consigo ver que é bom alguém para isso com você. A cumplicidade com alguém. Eu quero que um dia aconteça comigo, que alguém me conceda a liberdade de sentir isso, sem ter que escolher bau ou bdsm. É o tal do Let it be. Me controlo porque eu entendo todas as normas. Ah, complicado.

Desprendimento. 
Não me prendo a ninguém porque não sou fixa de ninguém, com excessão da Gata. Depois que minha amizade colorida terminou e fiquei sem P.A. sempre fico com um e com outro, de preferência com alguém que nunca irei ver na vida novamente. Não dou telefone, não quero remember's. Claro que surge umas excessões. Uma excessão, na verdade rsrsrs Talvez seja meu novo P.A.
Olhando assim até parece que qualquer um pode me comer kkkkk, que terror. Não! 
Eu criei algumas normas de trepadas alheias e eu sempre seleciono. Fora que, não dá para fazer tudo com qualquer um. 

O que é uma D/s na prática. 
Existem vários níveis de profundidade numa relação D/s. Existe comportamento, existem limites, existe todo um protocolo, existe uma finalidade. Talvez, nem sempre isso seja verbalizado. Mas acaba-se entendendo tudo isso, sem muitas palavras. No início pode ser um pouco difícil de assimilar algumas coisas, ainda mais no meu caso que sou novata. O melhor aliado é o tempo e a atenção. Eu poderia ser prolixa e dissecar mais. Mas vou deixar a coisa solta no ar e colocar vocês para pensarem um pouco. 

Segundas intenções.
A quantidade de assédio é FODA. No pior sentido da palavra. Eu me sinto bem sendo desejada e admirada, mas quando a coisa parte para o assédio, a pessoa leva logo um block. A saraivada de fotos, textos e propostas que as pessoas me enviam é grande. E não, isso não me deixa nem um pouco contente. Mas pior do que uma pessoa que já chega mostrando o que ela quer, é aquele que disfarça mas tá ali só esperando para dar o bote. Engana-se quem pensa que são só Tops. Como em qualquer lugar, nem todos são pessoas confiáveis. Chateante.

Prática.
Melhor do que ler um monte de coisa, e às vezes perder o seu tempo lendo abobrinhas, é ver o real e conversar com "real". Se você for uma pessoa observadora, assim como tento ser, você consegue extrair de outras pessoas ótimas lições de vida. E assim funciona no BDSM, afinal somos pessoas normais, BDSM é normal e somos eternos aprendizes da vida. 

Submissa Empoderada.
Eu me achei, parece que deu um boom. Há um sentido em tudo. A cada dia eu me sinto mais. Eu sei o que eu sou, começo a ter novas perspectivas e estou mais feliz sim. O nome que escolhi para mim, Pandora, é o tudo o que sou. Abracei todos os aspectos da minha personalidade e sexualidade. Me sinto mulher, fêmea e forte. Eu me beijei. 

Acho que consegui escrever algumas das coisas, desde meu "nascimento" até agora. São tantas coisas a descobrir, respostas a se mostrarem. Eu estou vivendo e existindo. Minha intenção é de mostrar que demanda certa coragem e energia para se descobrir, para descobrir. Para se libertar e se prender. Se surpreenda com coisas que pode te dar o novo. E eu quero muito mais. 


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