Não faz muito tempo em que assumi como submissa, digo ter consciência desse fato.
Para quem não sabe BDSM é um acrônimo de BD – Bondage (Arte em Imobilizar) e Disciplina / DS – (Dominação e Submissão) / SM – Sadismo e Masoquismo. São pessoas que se relacionam à base destes. Nem sempre um está ligado ao outro mas pode haver ligação. Não é complicado, ou eu pelo menos não vejo algo para se complicar. Não vou me tornar enfadonha e explicar timtim por timtim pois na internet há muito conteúdo bom e com clareza de explicação. (Você não precisa ver 50 Tons)
O que me fez chegar realmente aí é um pouco longo. Mas senta aí que você vai me entender.
Tem tudo a ver com a história da minha sexualidade. Vou focar no ponto em que tive o meu primeiro relacionamento sério aos 16-17 anos. E vou chamar meu ex de Filho do Diabo (à frente vocês vão entender). Pois bem, perdi a virgindade com o Filho do Diabo pois ele preenchia cada requisito que eu queria. Um homem mais velho, com jeito de macho, experiente e que fosse interessante. Porém, a característica mais importante, e que naquela época eu ainda não sabia definir, um homem aparentemente dominante. Eu era louca para me sentir subjugada às vontades de um homem, isso me dava um tesão do caralho. O FdD, obviamente, não era um Dominador. Nem perto disso. Mas eu sabia que ele era violento, já tinha me contado algumas histórias. E a “violência” sempre foi algo que me atraiu.
Antes de tudo, BDSM não é violento. Na época, eu não tinha a concepção e ainda não conhecia o BDSM como hoje. Conforme eu ia descobrindo o sexo no ato em si, alguns instintos iam aflorando em mim. Eu sentia prazer extremo quando ele me xingava; quando ele me mandava fazer coisas no sexo, “vish!!!” eu corria para fazer; quanto mais bruto ele me tratava na cama, mais eu gozava, sempre pedia para ele me bater. Começou no sexo, e foi tomando conta da minha vida. Eu queria agradar ele em todo tempo. Sempre tava disponível para sexo e provocava ele. Pedia a opinião dele para tudo e quando eu percebia alguma intenção eu já me antecipava a cumprir. O que ele dizia era lei para mim. De comida à sexo, eu queria saber e fazia. Se ele não gostava de alguém, eu parava de andar com a pessoa. Se ele queria uma amiga, eu estava ali. Se ele queria uma puta para comer de todos os modos, eu estava ali. Se ele estava furioso e queria descontar em mim, infelizmente estava ali. Engraçado, ele não era dominador. Era só um cara inseguro e hiper machista mesmo. Hoje eu consigo notar.
Como era de se esperar esse relacionamento não deu nada certo e quase acaba em tragédia por diferenças irreconciliáveis. Durou uns 2 anos e pouco. Eu fui apaixonada por ele mas acabou.
E depois disso, em 2 anos, juro que abri meu coração e minha amiguinha entre as pernas também para certos caras… uns mais novos, outros mais velhos, negros e brancos.
Mas eu sempre enjoava dos caras. O sexo sempre parecia que era sem graça, algo mecânico. O problema não era os caras, era eu mesma.
Tentei a última vez um relacionamento convencional com um cara que insistiu muito. E foi o cúmulo. Resolvi sair da zona de conforto. E depois de tanto tanto pesquisar, e até hoje pesquiso, achei o Dono.
Na verdade, quando achei o Dono, que tem sido um Mestre a me ensinar a realidade BDSM. Conheci ele através do site que ele tem, fiz um comentário pedindo aconselhamentos. Ele é um cara muito inteligente e já está no meio há 17 anos, só vivendo de relações BDSM’s. Eu estava inquieta, conhecendo pessoas praticantes e com experiências para me darem uns toques. Louca por informação. As coisas meio que foram acontecendo.
E tenho sido muito feliz em ter o prazer de servi-lo. Ele tem me moldado e mostrado que a Pandora está aqui. E eu a vejo, respiro ela.
Eu acredito que sou sim uma submissa de alma. O povo da nossa comunidade tem essa discussão. Se realmente existe submissas de alma. Para mim, quem é submissa de alma, sente a submissão de forma natural e espontânea. Eu me enxergo muito melhor hoje.
A quem se interessar pelo assunto, leiam muito, tentem conhecer pessoas do meio praticantes confiáveis. A maioria dos bdsmistas são exibicionistas e tem fotos no seu acervo de albúns de sessões realizadas, peça para lhe mostrar. E tenham paciência. Assim como nos relacionamentos convencionais, há muitos mentirosos.
Mas eu sempre enjoava dos caras. O sexo sempre parecia que era sem graça, algo mecânico. O problema não era os caras, era eu mesma.

Nenhum comentário:
Postar um comentário