Quem nunca transou no carro?
Eu já, muitas. Já perdi a conta, foram realmente muitas. Acho que esse foi um dos meus primeiros fetiches assumidos.
Aí aí, ainda me lembro da primeira vez, naquela noite, dolorida e gostosa, eu nem imaginava...
É incrível que se você manter a calma e relaxar com certas coisas que você não está entendendo, com o tempo vai ficando claro o motivo de certas atitudes. E o que o efeito borboleta tem sempre origem.
Eu me fazia uma pergunta há algum tempo. E isso de vez em quando ficava me espezinhando.
Esses dias tive um insight. Descobri uma razão para um motivo que era oculto, prefiria que não tivesse chegado a obvidade da situação.
Um deslize meu, que poderia ter sido mencionado, gerou duas coisas. Uma foi o não prosseguimento e a outra foi a limitação da outra.
E aí até o motivo desse "motivo" ter ficado oculto eu entendi. O motivo me fez sentir diminuída.
Se eu tiver que passar por isso, provável que me sentirei pior. E só me faz mostrar que apesar dos pesares, pra ter certas coisas temos que abrir mão de outras.
Mas vale a pena?
Se um cubo não se encaixa em losango,por que tentamos?
Um dia a razão chega ate nós... Ela sempre chega.
Por esses dias minha cabeça tem girado muito em torno da submissão. Sei que existem diversos motivos por qual as pessoas se submetem.
Essa onda de livros eróticos que pintam o BDSM de forma romanceada, bonita "all the time", decepciona muita gente que chega pensando que vai ser uma Anastacia do 50tons ou encontrar o paraíso das perversões sexuais.
Não foi o meu caso, eu já sabia. Já tinha lido, pesquisado e visto. Mas estar na pele é algo que você pode até imaginar, mas vai sentir além da sua projeção.
Eu sei que nem todos são iguais. É e foi e será muito fácil servir alguém no âmbito sexual.
É muito mais fácil usar o que é concreto, estimulável e menos trabalhoso; usar o corpo. Não precisa usar o psiquê e exige se o mínimo de inteligencia. É, encare o fato, somos animais. Mulher ou homem.
Talvez sim, em maioria, o motivo inicial seja o prazer. Orgasmo, o próprio ato sexual, aquele prazer da satisfação pessoal e o prazer da realização.
Mas submeter-se à alguém é diferente. Se fosse assim, submissão por fetiche, me sentiria dominada por qualquer pessoa que me comesse "com força" e seria algo um tanto... vazio? Não sei. Não seria uma relação de Dominação e submissão, no meu ponto de vista, pelo menos não de forma plena. Alguém ou algo desperta esse desejo?
E eu me perguntei por que eu me submeti a este homem (o Dono)? Por que eu espero? Por que eu faço o que eu faço?
Você submissa já se fez essa pergunta? Pergunto àquelas que tem que abrir mão de coisas um pouquinho mais difíceis pra servir o Dono, aquele Dono especificamente.
Sexo é fácil, estou falando de mais que isso.
Tantas coisas já se passaram pela minha cabeça ao decorrer desses meses.
É um jogo. Um jogo perigoso sim.
Eu vi uma cena em um filme, talvez seja uma estúpida comparação, mas que me conectou aquele momento. A cena do filme "Esquadrão Suicida" em que o Coringa pergunta para Harley se ela viveria e morreria por ele e ela responde que sim, olhos como se ele fosse o mundo dela, totalmente entregue, e ela simplesmente se joga de um lugar alto num tanque de ácido por ele, sem pensar duas vezes, plena satisfeita. Sem questionar. Ela escolhe.
(Ela ainda usa uma coleira enorme escrito PUDDIM durante o filme, que é o apelido que ela deu para ele *.*)
Olhando assim, eu realmente acho a comparação meio infantil. Mas é exatamente assim que eu me sinto. É tão automático, é tão natural que assusta às vezes.
Quando eu estou com ele, o resto apaga para mim. Eu não vejo o resto e não sinto o resto do mundo, só Ele... o Dono.
Eu não me conhecia a esse ponto. E eu às vezes tenho medo. Não do meu Dono, eu confio nele. Mas eu fico pensando sobre mim.
Acho que uma qualidade que toda submissa precisa ter é "adaptar-se" à vida do seu Dono. Mas tem que haver um limite. Às vezes nem é tão difícil dependendo do Dono que você escolheu. E eu confesso que às vezes me vejo planejando viver de forma que nossa relação dure cada vez mais, abrindo mão de coisas que eu planejei e quero pra minha vida (e com o sorriso mais idiota no rosto).
De forma sincera e de coração, eu não me submeti porque me apaixonei rapidamente e esse tipo de blablabla que eu vejo falando, embora me me peguei diversaseu vezes com essa visão apaixonada em específicos momentos.
Eu gosto do jogo profano que foi montado. Eu fui a ratinha acuada pela serpente e eu gostei do que vi. Eu sabia que eu era a ratinha e eu amei. Foi interesse, foi prazer, tão "decandente" profano.
E então eu conheci o Homem. Eu amei cada aspecto dele (não referente à paixão, amor, coração e essas coisas), eu amei cada aspecto bom e cada aspecto ruim, até quando odeio eu adoro. A sinceridade e a verdade nele dele me prenderam de primeira. Por isso também continuei. Ele fala a verdade independente de doer ou não. Minha confiança só aumenta. E por que eu não faria coisas por quem eu não confio? Até o chão dele, eu lamberia, se ele mandasse.
E Ele me fez sentir, me descobrir, me libertar. Me encaminhou exatamente porque quis.
E me usa. E tem a capacidade de me "machucar". E me mostra exatamente isso. Ele dá as cartas. Ele controla.
E tem tantas outras coisas. Ao mesmo tempo é tão sereno, tão centrado, certo e nunca se abala.
Cada atitude é real, é" escolhida". Saber disso é um orgasmo mental. Ele tem esse poder.
Enquanto ele me quiser, serei dele. Eu escolhi isso.
Pandora, meu delicioso alter-ego. Pandora, Pandora, Pandora.
Isso não por que sou a Pandora do Dono, essa é a Pandora Submissa.
Agora eu me vejo completamente apaixonada, eu confesso que fiquei meio decepcionada em ter que assumir isso pra mim mesma. Eu gostaria de manter só a base do "envolvidos". Mas aceitei isso. Acho que em nada muda a apaixonite que tenho por Ele. Só dá um gosto diferente. Porque essa submissão é toda dele. O Dominador.
E cada felling bom ou ruim é prazeroso, vai entender.
Vale tão a pena.
Meu conselho é busque sempre a razão da submissão. Se começar pelo prazer já é um ótimo passo. Mas se caso se tornar prazer com algo mais (e não to falando de amor, to falando de algo beeem diferente e poderoso) aí sim se prepara que o jogo realmente começou o jogo. E isso é delicioso.
Eu tenho uma blusa. Um cropped branco de paêtes, com uma abertura perfeita nas costas. Não é apertado, não é largo. Tem a medida certa.
Eu usei 2 vezes esse cropped. Eu comprei pois simplesmente "amei", independente do preço. Uma vez eu emprestei à uma amiga quem confio muito e cuidou bem, mas pedi que me devolvesse assim que usasse, com pressa.
E eu abro meu guarda roupa e sempre o vejo lá, disponível, pronto para uso. Sei que na mão de outro alguém, ele iria ser de melhor ou maior uso. Fica lindo no corpo, sensual. Fica bem na foto. Tem ótima qualidade.
Eu gosto tanto assim do meu cropped?
Sei que não quero da-lo a ninguém, mas eu deveria por que alguém realmente pode usar melhor?
Eu sei o valor dele. Mas não é pelo valor é?
É valorização? É possessividade? É a oportunidade da hora certa? É egoísmo? Ou simplesmente burrice?
O que meu cropped faria se fosse gente?
Será que ele sairia correndo do meu guarda roupa?
Eu tenho apreço pelo meu cropped ainda que não pareça. Será que isso é realmente verdade? Só porque eu julgo estar conservando da forma correta.
Eu guardo por conservação? Sério mesmo?
Acho que eu não sou a dona certa.
Daqui um tempo, os fatores naturais vão desgastar meu cropped. A fibra do pano dele vai relaxar, o branco vai amarelar com o tempo, os paêtes vão acabar se soltando.
Mas isso tudo vai ser só um reflexo do que eu fiz. Ou o que deixei de fazer.
Parece engraçado esse devaneio louco sobre um cropped. A verdade é que eu quero despertar um sentimento em você que está lendo de valorizar o que você tem.
Falar é muito bom, falar que valoriza, falar que ama, falar que é importante. Mas se o tempo passar e passar, só vão ser exatamente isso: palavras.
E fazemos o que eu faço o tempo todo com meu cropped, com pessoas e com projetos importantes. E até com nós mesmos!
Eu escrevo isso mais para mim, do que pra você quem lê. A gente não valoriza as pessoas como devemos, não demonstramos da forma certa, não conservamos da forma certa. Às vezes guardar não é dar valor.
Bora pensar. Isso não se encaixa só em bdsm ou só em baunilha. São valores de vida.